Google anuncia nova política anti-spam: "back button hijacking" será penalizado a partir de junho
- Mikael Araújo

- 13 de abr.
- 4 min de leitura
O Google anunciou hoje uma expansão significativa em suas políticas de spam, criando uma regra explícita contra a prática conhecida como "back button hijacking" (sequestro do botão voltar). A partir de 15 de junho de 2026, sites que adotarem essa técnica enganosa estarão sujeitos a ações manuais de spam e rebaixamentos automáticos nos resultados de busca.
O que é back button hijacking?
O "sequestro do botão voltar" ocorre quando um site interfere na funcionalidade de navegação do navegador, impedindo que usuários retornem à página anterior ao clicar no botão "voltar".
Segundo o anúncio oficial do Google Search Central, quando um usuário clica no botão voltar, ele tem uma expectativa clara: retornar à página anterior. O back button hijacking quebra essa expectativa fundamental.
Em vez de voltar normalmente, os usuários podem ser:
Redirecionados para páginas que nunca visitaram;
Apresentados a recomendações ou anúncios não solicitados;
Presos em loops de navegação;
Impedidos de navegar normalmente pela web;
Por que o Google está tomando essa ação?
De acordo com a empresa, a experiência do usuário vem em primeiro lugar. O back button hijacking interfere na funcionalidade do navegador, quebra a jornada esperada do usuário e resulta em frustração.
O Google observou que usuários relatam se sentir manipulados e, eventualmente, ficam menos dispostos a visitar sites desconhecidos. Como a empresa já havia declarado anteriormente, inserir páginas enganosas ou manipulativas no histórico do navegador sempre foi contra os princípios essenciais do Google Search.
O que mudou agora é a designação explícita dessa prática como violação da política de práticas maliciosas, refletindo o aumento observado desse tipo de comportamento.
Qual é a política violada?
A nova regra se enquadra na política de práticas maliciosas (malicious practices), que estabelece:
"Práticas maliciosas criam uma incompatibilidade entre as expectativas do usuário e o resultado real, levando a uma experiência de usuário negativa e enganosa, ou comprometendo a segurança ou privacidade do usuário."
Páginas que praticam back button hijacking estarão sujeitas a:
Ações manuais de spam;
Rebaixamentos automáticos;
Impacto negativo no desempenho nos resultados de busca do Google.
Cronograma de implementação
Para dar tempo aos proprietários de sites de fazerem as mudanças necessárias, o Google está publicando esta política com dois meses de antecedência antes da aplicação oficial:
13 de abril de 2026: anúncio da política;
15 de junho de 2026: início da aplicação e penalizações.
O que os proprietários de sites devem fazer?
1. Garanta que não está interferindo na navegação
Certifique-se de que nada em seu site interfere na capacidade do usuário de navegar pelo histórico do navegador.
2. Remova scripts e técnicas manipulativas
Se você está usando qualquer script ou técnica que insere ou substitui páginas enganosas ou manipulativas no histórico do navegador, impedindo os usuários de usar o botão voltar para retornar imediatamente à página de origem, você deve remover ou desabilitar isso o quanto antes.
3. Atenção especial a códigos de terceiros
Ponto crítico: segundo o Google e conforme reportado pelo Search Engine Land, algumas instâncias de back button hijacking podem se originar de bibliotecas incluídas no site ou plataformas de publicidade.
O Google encoraja fortemente os proprietários de sites a:
Revisar minuciosamente sua implementação técnica;
Auditar todas as bibliotecas JavaScript incluídas;
Verificar configurações de plataformas de anúncios;
Remover ou desabilitar qualquer código, importação ou configuração responsável pelo sequestro do botão voltar.
4. Como testar seu site
O processo de teste é simples:
Acesse uma página do seu site através do Google;
Navegue para outra página interna;
Clique no botão "voltar" do navegador;
Confirme que você retorna imediatamente à página anterior.
Caso haja qualquer redirecionamento, delay ou página intermediária, você tem um problema que precisa ser corrigido antes de 15 de junho.
O que fazer se receber uma ação manual?
Se seu site for impactado por uma ação manual e você corrigir o problema, pode notificar o Google enviando uma solicitação de reconsideração no Search Console.
Para dúvidas ou feedback, o Google recomenda entrar em contato através das redes sociais ou discutir o assunto em seu fórum de ajuda.
Impacto para SEO e marketing digital
Esta atualização reforça a tendência crescente do Google de priorizar a experiência do usuário sobre táticas agressivas de monetização ou retenção.
Principais takeaways para profissionais de SEO:
Auditoria técnica urgente: priorize a revisão de todos os scripts de terceiros antes de junho;
Risco em plataformas de anúncios: redes de anúncios agressivas podem estar implementando essas técnicas sem seu conhecimento;
Transparência é essencial: sites que respeitam a autonomia e controle do usuário continuarão sendo recompensados;
Dois meses para agir: use o período de aviso para fazer uma limpeza completa.
Impacto no mercado brasileiro
Para o mercado brasileiro de SEO, esta política tem implicações importantes:
Sites de conteúdo que dependem de redes de anúncios agressivas precisam urgentemente revisar seus parceiros;
E-commerces que usam pop-ups e scripts de retenção devem verificar se não estão manipulando o histórico do navegador;
Agências de marketing digital devem incluir essa auditoria em seus serviços de SEO técnico.
Contexto histórico
Vale lembrar que manipular o histórico do navegador nunca foi permitido pelo Google. O que muda agora é a formalização explícita dessa proibição e a sinalização de uma fiscalização mais rigorosa.
Nos últimos anos, o Google tem intensificado suas ações contra práticas que prejudicam a experiência do usuário, incluindo:
Core Web Vitals como fator de ranqueamento;
Penalizações para intersticiais intrusivos;
Políticas contra conteúdo enganoso;
E agora, ação contra manipulação de navegação.
Conclusão
A mensagem do Google é clara: código limpo, UX honesta e respeito pela autonomia do usuário não são apenas boas práticas — são requisitos explícitos para manter sua visibilidade na busca.
Se sua estratégia de retenção ou monetização depende de padrões enganosos de navegação para inflar visualizações de página ou impressões de anúncios, agora é o momento de fazer uma mudança. Você tem dois meses.
Sites que priorizam a experiência genuína do usuário continuarão prosperando. Sites que tentam trapacear o sistema pagarão o preço em visibilidade e tráfego orgânico.
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